Os melhores presentes não são aqueles que ganhamos, mas aqueles que nos ganham num galgar suave e paulatino quase que imperceptível. Os melhores presentes não nos tomam de assalto, não nos intimidam com sua grandiosidade estarrecedora fazendo-nos seus serviçais incontestáveis. Os melhores presentes são os ardilosos. Aqueles que se infiltram e sem percebermos ocupam de início um pequenino espaço no nosso coração para depois apoderarem-se do mesmo por completo. Os melhores presentes não são os das datas especiais, mas aqueles que somados diariamente tornam-se inefáveis, incontíveis em uma embalagem parca e extinguível. Os melhores presentes prescindem valor monetário. Situam-se acima de qualquer valor, afinal um verdadeiro presente não se dá não se compra não se vende. Conquista-se! Obrigada a todos que são verdadeiros presentes na minha vida:Família e a família que escolhemos:os amigos!
O rio que move o moinho vem correndo Escoando por entre as pedras no caminho Exímio em contornar seus obstáculos Para lograr enfim os seus desígnios Corre horizontal Encontra o vertical 90º E força resultante Rodando adiante As palhetas do moinho. Mas nós, humanos petulantes Como rios Correndo,correndo, correndo Achamos que podemos girar moinho. Horizontais deste jeito, podemos arrastá-lo nas correntezas de nossa presunção. Levá-los para bem longe. Destruí-lo. E só! Fazer rodar é outra coisa... É preciso encontar o Vertical primeiro. O movimento é a interação de forças... Interação com o vetor Vertical. Olhar pra cima. O poder para a força resultante vem do alto. Horizontal não move horizontal. Corre horizontal Encontra o Vertical 90º E força resultante Rodando adiante As palhetas do moinho.
Muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos abscessos tumores nódulos pedras são palavras calcificadas poemas sem vazão mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado prisão de ventre poderia um dia ter sido poema pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa palavra boa é palavra líquida escorrendo em estado de lágrima lágrima é dor derretida dor endurecida é tumor lágrima é alegria derretida alegria endurecida é tumor lágrima é raiva derretida raiva endurecida é tumor lágrima é pessoa derretida pessoa endurecida é tumor tempo endurecido é tumor tempo derretido é poema palavra suor é melhor do que palavra cravo que é melhor do que palavra catarro que é melhor do que palavra bílis que é melhor do que palavra ferida que é melhor do que palavra nódulo que nem chega perto da palavra tumores internos palavra lágrima é melhor palavra é melhor é melhor poema
O gosto da vitória sempre inquietou o homem. Essa gana de querer somar, multiplicar, ser melhor, levou desde Alexandre à Babilônia, até Napoleão a dar um golpe para chegar aos seus fins. O homem moderno ao contrário dos grandes generais procurou outros valores. Achou-se pequeno demais para uma França ou Babilônia, e resolveu ficar apenas com o gol do Brasil. Foi para a choperia e bebemorou. Infelizmente essa humildade é que mata. Vivemos da vitória dos outros... Quando Chico e Caetano escrevem suas letras para o Brasil ovacionar, comemoramos a riqueza cultural do país. Riqueza uma vírgula!Riqueza deles, não nossa!Não podemos estender as conquistas de outrem para ninguém. Vitórias são pessoais e intransferíveis. E o que mais incomoda é esse conformismo de sermos sempre a platéia... E enquanto deitados eternamente em berço esplêndido , a índia ganha seis prêmios Nobel na nossa frente, porque pra nós o que importa é o hexa. A verdade é que somos um povo muito legalzinho, o país do tudo bem. Comemoramos muito para poucas vitórias. Os feriados que o digam... E como pior do que a falta de luz, é o gosto pela escuridão, os apagões virão e o brasileiro ainda vai comemorar...
Quem não gostaria de confratenizar com os amigos num belo domingo ensolarado? Exceto se você for seguidor da Nietzsche do século XXI que prega: “Há mais comemorações que vitórias”; você responderia: “ninguém!”. Pois num dia assim, já no caminho da volta para casa, estava eu dando carona para o Alfredo e a Priscila. Esta, pra variar, decidiu gratuitamente debochar do então motorista novato, comparando-me com um experiente “chauffeur”, sendo este já acostumado a “lamber as ruas” de Belém. Um momento: O que o tirocínio de alguém, em relação a uma atividade, conjugaria relação com o verbo “lamber”? Provavelmente, nem a nossa estimável judoca das palavras poderia responder lucidamente. Retornando a história, como todo “top-drive” que se preze, estava tendo dificuldades para dar o retorno em uma rua. Obviamente, nossa amável “faux française” não perdeu nova oportunidade e com o aquele sorriso priscilesco, destilou: “Ah, uma direção hidráulica...”. Eis o “abre-te, sézamo” para o segundo “Porra, Priscila!”, justamente bradado. Contrariando a lógica árabe-germânica, o álcool não é a única condição para a “libertação de demônios” ou “demoninhos” (caso você seja adepto do uso do diminutivo depreciativo). Como visto, o sarcasmo primitivo também é. Com efeito, o vitimismo cego, que transforma a legítima defesa em presunção; é sempre justificado por trás de uma, chicka ferdy*, projeção de você na outra pessoa, uma face inocente, uma brincadeira “sem maldade”; não? Faço minhas as palavras de John Lennon, de forma adaptada: “pois ela tem rosto suave e dirá que [isso] não existiu.”
* expressão usada na cidade de Liverpool, algo equivalente a “tipo assim”.
Dedico este simples texto a minha querida Priscila Franco, que deu a oportunidade de me ceder um espaço no “Shell catcher”.
Se um dia me perguntarem o que serei Digo médico de palavras simples Dessas que usam no alicerce da vida Mas que andam ao descaso por aí...
A palavra paixão. Virou esquizofrênica!Anda tendo alucinações. Acha que é amor. E o amor? Hipocondríaco! Deu-se mil doenças... E parece que morre amanhã... A coragem, em regular estado geral, diz que contraiu o vírus da indolência e desmotivação. A amizade nem se fala... Uma febre de origem desconhecida. Parece a palavra colega quando estava doente. Será que é a mesma coisa? O respeito é o mais perdido. Não sabe nem que médico procurar. Pode ser o mesmo da educação, que anda se queixando,há tempos, de dores na sua espinha dorsal... A fidelidade, por acidente de trabalho, adquiriu doença venérea. Queixa-se de esquentamento... A gratidão. Diagnóstico a esclarecer. Parece doença rara. A honestidade, coitada. Para essa, nem concorrência tem... Talvez a mais moribunda de todas... E oxalá que ninguém morra dessas verdades...
Se um dia me perguntarem o que serei Digo médico de palavras simples Médico de palavras simples Palavras simples Simples!
Lágrimas em frascos São inventos parcos O brilho dos meus olhos É colírio orgânico Invólucro hidratante Setenta porcento água Lipídio, proteína e sal Coluna trifásica Essencial... Lágrimas em frascos São tal ferro fundido Limitadas Contidas Programadas A minha é forjada, espontânea, nata. Lágrimas em frascos São de um mundo doente Que cura de fora para dentro A minha é a personificação da realidade interna A gota d'água que escoa por esse mundo triste "Cuja única ventura consiste em parecer aos outros venturoso...."
Desde que o homem dominou arte de flambar as coisas nunca mais foram a mesma. Inventou a arte culinária, separou os minerais de suas escórias, transformou areia em vidro, incendiou cidades, fez assepsia. Mas de longe a consecução mais extraordinária não foi o fogo em si, mas sim, os seus combustíveis... Foram eles quem puseram a pusilânime faísca em chamas. E o que era para ser discreto ou mesmo contido, sem muito brilho, ganhou proporções jamais sonhadas. O combustível levou o homem à lua, suplantou as distâncias geográficas, encurtou o tempo e o espaço. Enfim, Libertou a avalanche em potencial, omissa na inocente aparência de uma humilde faísca. E depois de todas essas nuances, o homem incansável, e assaz criativo não se conformou e resolveu colocar calor até mesmo nas discussões... E como o álcool age no fogo, explodindo os ânimos, libertando os demoninhos, o homem virou uma espécie de presunçoso, que se orgulha do inferno em que vive submetendo os outros, e ainda exige compaixão! E o mais interessante foi que ele personificou a tal faísca, só para sair indene de culpabilidade de qualquer fogaréu que se torne à custa d’algum combustível lançado nele. A tal ponto chega a presunção humana... A verdade é que as “desculpas” são os verdadeiros combustíveis às muitas faíscas que existem em nós. E quem não souber por gelo nos pensamentos é melhor nem entrar no calor dessa discussão...
Eurocopa de 2008 Um texto meu e de meus amigos Marília,Luciano e Alfredo sobre a avalanche Milly Lacombe em 2008
Pra quem anda acompanhando as diputas futebolísticas em solo europeu,sob o ponto de vista das cameras da Rede Record, ai vão as pérolas que fizeram e fazem, até domingo, parte do inusitado e cômico repertório da dramatica Milly Lacombe
* Um velho ranzinza comandando uma geração de pequenos avatares * Seria um final poético * Ele [Marcos Senna] é um ponto gravitacional neste jogo * A Rússia vem desferindo golpes (...) * A Rússia ainda não mostrou suas armas * A arma letal da Espanha * Pode ser um bom efeito colateral essa entrada do Fábregas * A Espanha sabe que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose * E ai é aquele caos criativo * A Espanha joga na sua zona de segurança * Se faz uma certa justiça poética nesse jogo [A Espanha] * A Holanda cria uma armadilha moral * É um jogo com requintes de crueldade * A Turquia deu a jugular para o conta-ataque da Alemanha * A coragem da ignorância [Turquia] * E ai a Alemanha é letal * Os turcos gostam de cenários dramáticos * O efeito colateral do excesso de vontade * O território moral [Alemanha] * Os laterais fazem o papel de turbina da alemanha * Eles[os turcos] não conhecem o impossível nem o improvável * A Alemanha é uma bola de neve
Será que tanta originalidade perdurará até domingo?Vejamos! É o que esperam seus mais febris fãs!!!! hauhaahaua Até mais inovações!
Estava eu no primeiro semestre de 2005. Nesse tempo, no período da noite, eu fazia o meu primeiro nível intermediário de inglês. Bem,mas até ai tudo bem! A problemática surge quando a professora avisa que não poderíamos fazerr uso de dicionário para a prova escrita de quarta-feira, a menos que ele fosse do tipo inglês-inglês. Pensando bem, o problema não foi a restrição quanto ao uso de dicionário. O problema foi eu não ter um dicionário inglês-inglês.
No dia seguinte,na parte da tarde, tivemos uma aula no Mat-2.Cheguei, sentei, olhei e vi a Dani. Ela tava bem séria pra variar. Sentada naquele mesmo local de sempre, encostada na parede. Lembrei do dicionário! Quer dizer, a Dani fez eu lembrar, só de olhar pra ela. Dani-dicionário-dicionário-Dani.Eu acho que nunca mais vou esquecer essa relação! Posso até sugerir como alternativa de teste de Q.I para a American Research of Brain, já pensou :
Biblioteca está para livro,assim como: a)Danielle Moura está para dicionários b)Dicionários estão para Danielle Moura.
(...)Pensei duas vezes antes de ir lá falar com ela...Ainda olhei pro Dênis,Vítor...Não, a Dani deve ter um dicionário mais atual, afinal ela se formou há alguns meses.
(...)Deu pra perceber que ela não gostou muito da idéia, mas medisse queemprestava sim, contanto que eu o entregasse no dia seguinte. E isso ela disse de forma bem enfática.E acredite, mesmo com a cara que ela fez eu saí feliz de lá imaginando um Macmillan Ilustrado, ou um Oxford com CD-Rom...Afinal, qualquer dicionário não despertaria tanto ciúmes na sua Dona.
No dia seguinte lá no CCS, a Dani chega como um Dicionário grande e de capa marrom,me entrega formalmente e diz: “Olha Priscila toma cuidado com ele!!!”. Dessa vez eu não fiquei muito feliz...Olhei a lata dele.Pra começar não tinha nem nome,só um título com letras douradas.Páginas amareeeelas. Negrito dos verbetes bem claritos. Atributos típicos de um dicionário velho. Pensando bem,não era um dicionário velho.Eera um dicionário Clássico, por que não Barroco?Afinal,niguém diz que as músicas de Bach,Beethoven são músicas velhas,pelo contrário, são músicas clássicas!!! Machado de Assis não são livros velhos, são Clássicos!!! Que imensurável prazer ter sob responsabilidade um patrimônio histórico entesourado às sete chaves por Danielle, talvez descendente da antiga tribo dos Mouros.hehehe
Bem, mas toda essa história não teria graça se eu não tivesse esquecido de trazer dicionáriono dia seguinte... Se vocês soubessem o quanto eu procurei a forma mais amistosa para fazer esse comunicado à ela.
Mas Depois de muitos olhares incriminantes,como que cobrando pelo dicionário emprestado sob uma condição, que ela fazia questão de vociferar telepaticamente toda vez que me encarava. Eu confessei que tinha esquecido na rotineira pressa matinal.
Bem,assim como toda ação tem uma reação...literalmentefoi essa a escrotiadinha,como diz o Luciano, que eu levei:’’Porra Priscila,eu pedi pra ti trazer hoje.Tu tá pensando que esse Dicionário é qualquer livrozinho didático vê se tu traz amanhã!!!” (Quem já levou uma escrotiadinha da minha mãe Danielle sabe o quanto é jocoso o jeito que ela fala quando tá estressada).
Eu confesso que fiquei um pouco chateada com ela, mas depois que eu soube de outras experiências pessoais,eu levei na esportiva, afinal, a Dani seria muito chata se ela não tivesse nenhum filho.
Pensando bem, eu tinha mesmo que emprestar esse dicionário que eu nem cheguei a usar na prova, e ainda de brinde levei uma escrotiadinha euma história bem poia.
*Esse título foi criado pelo Ewerton,quando eu contei a ele essa história
**O termo Mãe foi usado pela primeira vez pelo nosso amigo Alfredo,para designar pessoas que adoram dar escrotiadianhas ou escrotiadonas,passando assim a ser mãe ou pai da pessoa que foi escroteada.
As janelas de Antar Rohit Eu de dentro de mim observo-te lá fora Queria guardar-te aqui... Receio que fiques ao relento,pálido,frio E já não posso oferecer-te abrigo Perdi as chaves de casa E Minha janela não é tão grande como a de Drummond Mas há janelas bastantes Verás uma que te agrade A minha estará sempre aqui No mesmo endereço Na mesma rua Na mesma avenida Estarei aqui quando quiseres ver-me Pena que não poderás entrar para ceiarmos juntos Perdi as chaves de casa...
Quando julgamos os outros não os definimos, definimos a nós mesmos... Os anos de graduação semearam ojeriza a tudo o que se referisse à tesoura e bisturi. Assim, a famigerada cirurgia não era para os espíritos nobres e altruístas, tampouco para os bons e humildes. Para ela, os fracos e rechaçados, indoutos e execráveis. Mas como a ignorância nunca teve um bom juízo das coisas... Quem não sabia de nada éramos nós... Os pequenos cínicos... Ops... Clínicos! E hoje o que mais nos aborrece não é que a cirurgia não tenha muito de clínica, é que a clínica não tenha nada de cirurgia! :) E nesse terreno aparentemente hostil sobrevivemos... Não porque éramos mais fortes, mas por nos tornarmos parte deles... E o que fora impossível aos outros, foi possível a nós sobreviventes, graças à diplomacia e amistosidade que engrenamos a cada missão obedecida, em cada prontidão inquestionável. Afinal falávamos a mesma língua... Éramos sóbrios, comedidos e beeeem objetivos. E por falar em objetividade, ai de quem fosse menos prático do que uma Gastré, Colecisté, Laparô, P.O., levava logo uma naba pública ou partica por estar perdendo tempo falando desnecessariamente. Mas não nos resumíamos só a passar com-pressa... Às vezes até deixavam a gente dar um ponto sem nó... Dos mais complacentes, por vezes, vista grossa aos externos!Lisos com um Categute... Especialistas em atestado médico! A verdade é que surfamos nessa ciência cortante e afiada (É, tinha muita fofoca também... hehehe). E os staffs Top Knife que o digam: quando achavam que sabiam alguma coisa, o caso era para a sessão clínica... Na verdade, nem éramos tão bisonhos assim... O conhecimento é que não tem fim...