Posto no centro da mesa, até a prosa gira em torno dele, é também o assunto principal. Sem falar que ele é café, almoço e janta. E de tão idolatrado, lá onde nasceu ele nem apodrece. Há quem prefira tomar um açaí azedo, quando não, fazer mingau.
Mas há quem diga que nada se compara ao “açaí de quintal”, tirado na hora do cacho e batido na máquina residencial, o que, aliás, por lá é até mais comum que televisão.
Lá, da palmeira, tudo se aproveita: frutos (alimento e artesanato), folhas (coberturas de casas, trançados), estipe (ripas de telhado), raízes (vermífugo), palmito (alimento). Afinal, como bem cantou Nilson Chaves “Tens o dom de seres muito onde muitos não têm nada”.
Na metrópole belenense o açaí ganha outra versão. É comida de pobre com preço de rico. Grosso, médio ou fino, não é mais o prato principal, vira sobremesa com muito açúcar e tapioca, ou um sorvete de tarde na Cairu.
No sudeste é o suco ralo, o tônico do pessoal da academia, ou um ingrediente a mais para as batidas de fruta. E com esse jeito de uva e cor de vinho, é ingrediente exótico até na culinária internacional.
E com tanta versatilidade, a ciência também não poderia deixar de oferecer sua contribuição: transformou o açaí no maior algoz do vinho tinto, por ser 33 vezes mais rico em antocianinas. Bom pro HDL...
O barbeiro bem que tentou derrocar essa autarquia, mas o açaí é abençoado e continuará encantando paladares, nas mais variadas versões no Brasil e no mundo. Quanto a mim, como quem chegou no Pará e parou; tomou açaí e ficou, o meu vai continuar sendo a sobremesa sem açúcar, com bastante tapioca e sesta.
P.S:Agradeço a minha amiga Marília que com sua simplicidade tem o dom de inspirar idéias enquanto conversamos.
