domingo, 10 de janeiro de 2010

O amor fino




















 Definindo S. Bernardo o amor fino, diz assim: Amor non quaerit causam, nec fructum: "O amor fino não busca causa nem fruto". Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto: o amor fino não há de ter por quê nem para quê. Se amo por que me amam, é obrigação, faço o que devo; se amo para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há de amar o amor para ser fino? Amo, quia amo, como ut amem: amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam, é agradecido; quem ama, para que o amem, é interesseiro; quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, esse só é fino. 
“Porque se amardes os que vos amam que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?” Mateus 5:46

Como Ortega y Gasset diria: “Eu sou eu e minhas circunstâncias”, já que é por vontade alheia que o Blog anda ultimamente em ociosidade... Mas para não deixar janeiro em branco, deixo-vos em melhor companhia: Padre Antônio Vieira, a quem pertence o esplendoroso texto acima sobre o inesgotável tema “Amor”.
Mas por que um texto sobre amor?
As sem-razões do amor... Afinal “Amor non quaerit causam, nec fructum”...