segunda-feira, 26 de julho de 2010

As Lições de Josué I





















"A história da humanidade é a história da Guerra." Winston Crurchill 


No novo testamento, o apóstolo Paulo em efésios 6:10-17 metaforiza a vida espiritual em uma guerra, aconselhando-nos a nos revestirmos da armadura de Deus, pois nossa luta é contra as forças espirituais do mal. No velho testamento, guerra tem um sentido literal e simbólico.
As circunstâncias em que vivia o povo hebreu os levou a freqüentes guerras, pelas narrativas do Antigo testamento. No livro de Josué, um dos mais militaristas, Deus apresenta-se inclusive como “o príncipe dos exércitos” para Josué. 

O livro narra as guerras travadas contra os povos pagãos, insistentes em ocupar a Canaã que se estendia do Nilo até o Eufrates, prometida há tempos ao patriarca Abraão e sua descendência em gênesis 15:18-21.

Não que Deus fosse exclusivista, mas a herança dEle estava reservada para um povo santo e temente ao seu nome. O plano de Deus era que Israel fosse a luz do mundo a fim de que as nações que viviam nas trevas da idolatria e perdição como os cananeus, amorreus e gigarseus, fossem iluminados, se arrependessem de seus maus caminhos e se convertessem ao único Deus verdadeiro, tornado-se assim co-partícipes da herança dos hebreus. Mas, infelizmente a taça da misericórdia de Deus encheu-se devido a dureza do coração do homem, e a única herança que os adversários adquiriram foram as soluções drásticas reservadas para aqueles que rejeitam o tempo da graça concedida: morte. 

No livro de Josué guerra e consecuções guardam uma relação dependente de um tripé que perpassa por 3 campos: um campo físico, e Josué usa expressões no livro como: ”sê forte”, “esforçai-vos”, “empenhai-vos”; mental: “sê corajoso”, “não temas”, “não te espantes” e espiritual: “santificai-vos”, não cesses de falar do livro da lei, antes medita nele dia e noite”.

Josué era um judeu convicto, exemplar e um profundo conhecedor das escrituras e não seria estranho que ele tivesse se baseado  no verso mosaico mais famoso entre os judeus  registrado em Deuteronômio 6:5 “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração(mental), de toda  a tua alma( espiritual) e de toda a tua força(físico).

A história é repetida, portanto deve ser refletida. Se Deus inspirou homens a escrever que o segredo da vitória em qualquer campo da vida baseia-se no tripé físico, mental e espiritual. Temos por obrigação cuidar de nossa saúde, manter uma mente limpa, e “não cessarmos de falar do livro da lei, antes meditemos nele dia e noite”. Em tempos de paz construa suas bases porque as guerras virão e quem não estiver amparado no tripé da vitória será como um homem que construiu sua casa sobre a areia:ruirá perdendo a coroa de louro da salvação.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Brasil pode mais!


















José Serra, candidato do PSDB às eleições presidenciais de 2010.

O Brasil até venceu, mas ainda não convenceu que está preparado para levantar a taça do hexa. E isso não é devido ao elegante 4x0 da Alemanha. O 1x0 da Argentina já convenceu bastante...

E se de um lado temos a crítica futebolística trucidando o Dunga por ter convocado uma seleção incipiente, do outro temos a idolatria em cima do que já foi o Kaká em tempos primitivos. O que rendeu hoje até uma daquelas adulações costumeiras do Galvão Bueno: “O Kaká é o pivô do time, quando ele aparece o gol sai”.


Levantar opiniões de extremos não ajuda muito em disputas esportivas, aliás, como em tudo há necessidade de uma certa ponderação, equilíbrio nas idéias.Achar que a seleção foi prejudicada por não apostar nos cracks intimida a equipe, basta observar o primeiro tempo do jogo , o que se via era a timidez dos estreantes jogando contra uma Coréia que marcava cerrado. Por outro lado, colocar o time todo nas costas de um ou dois jogadores é presunção. Deixa a equipe com uma autoconfiança comodista. É so lembrar: o time dos Ronaldos não ganhou a copa em 2006...

Portanto, o melhor agora é apostar na sobriedade... E como as eleições vêm ai, nada melhor do que contextualizar as idéias com a as disputas presidenciais. O Slogan da atual campanha do Tucano é bastante diplomático: “O Brasil pode mais!”. O Brasil só não poderá se continuar levando para o campo mais de um adversário...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mentes dilatadas

Mask, W. Utermohlen
















Mentes dilatadas
É idéia ou ausência dela?
Idéias dilatam mentes
Irreversivelmente
Mentes grandes
Cabeçorra
Vácuo é ausência
Ex-vácuo é ausência
Ausência de idéias em mentes dilatadas


Cabeça Rafaelesca, Salvador Dalí


Idéias têm poder de dilatar mentes, melhorar a capacidade cognitiva. Pacientes com Alzheimer têm como principal alteração cerebral macroscópica, a longo prazo, a atrofia cortical  com dilatação ex-vácuo. Na pintura de W.Utermohlen, pintor americano que teve Alzheimer, a representação iconográfica do verso  "ausência de idéia em mentes dilatadas"

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O elogio da feiúra

 
Tevez (meio), atacante argentino do Manchester City, desfilando na Inglaterra.


Fala-se muito em padrão de beleza. Provavelmente só a feiúra é original. Uma vez criada, ninguém a quis imitar. 

Estar bonito é tão sério que virou até clichê. Afinal, diz-se que beleza é fundamental.
A feiúra é mais imprevisível e inovadora. Aparece quando menos esperam. Ela pode até ser tímida no começo, mas com um bom aceitamento mostra-se divertida, de um extremo senso de humor, afinal quem já não riu da feiúra em uma foto, ou do Carlito Tevez sendo eleito o galã da copa de 2010. 

A beleza pode até atrair, ser uma boa carta de recomendação no começo, mas o próprio amor, quando construído sobre a beleza morre com a beleza. Talvez porque a beleza seja um tanto que instável, a feiúra pelo contrário, é para vida toda. 

Sabe-se que a ojeriza que atribuímos à feiúra deve-se, em partes, aos primórdios da infância quando aprendemos a confundir questões morais e estéticas. Então, somos ensinados que o belo é sinônimo de graciosidade, bondade e prazer. Já a feiúra é asquerosa, má, desagradável, abominável, abjeta, suja e indecente. A própria iconografia religiosa é farta em demonizar o feio e embelezar os anjos e seres celestiais. 

Mas feiúra que é feiúra supera tudo isso, convence do contrário, faz a diferença. Pode até não seduzir a princípio, como faz a estarrecedora beleza, tomando-nos de assalto tempestuoso e embriagante. A feiúra é um argumento suave que se infiltra lentamente e sem percebermos apodera-se completamente de nossos corações e nos faz apaixonar. E ela, somente ela, é como disse Saint-Exupéry: “l’essentiel est invisible pour les yeux” (O essencial é invisível aos olhos).

E se os feios não andam fazendo bonito, é porque devem estar perseguindo um ideal de beleza.

P.S:Dedico este texto a meu muso inspirador, o talentoso Tevez...


sábado, 6 de fevereiro de 2010

As facetas do Açaí

 

O açaí, na sua terra nativa, o baixo Tocantins, é prato principal. Lá se diz: hoje vou comer açaí com peixe, ou com carne, ou até com lasanha (pasmem!). E assim, para cada colherada de açaí, em seguida, uma outra de comida. Mas com fruta açaí não se mistura!É fruta exclusivista, não combina com nenhuma outra. Sob pena de enfermidades.

Posto no centro da mesa, até a prosa gira em torno dele, é também o assunto principal. Sem falar que ele é café, almoço e janta. E de tão idolatrado, lá onde nasceu ele nem apodrece. Há quem prefira tomar um açaí azedo, quando não, fazer mingau.

Mas há quem diga que nada se compara ao “açaí de quintal”, tirado na hora do cacho e batido na máquina residencial, o que, aliás, por lá é até mais comum que televisão.

Lá, da palmeira, tudo se aproveita: frutos (alimento e artesanato), folhas (coberturas de casas, trançados), estipe (ripas de telhado), raízes (vermífugo), palmito (alimento). Afinal, como bem cantou Nilson Chaves “Tens o dom de seres muito onde muitos não têm nada”.

Na metrópole belenense o açaí ganha outra versão. É comida de pobre com preço de rico. Grosso, médio ou fino, não é mais o prato principal, vira sobremesa com muito açúcar e tapioca, ou um sorvete de tarde na Cairu.

No sudeste é o suco ralo, o tônico do pessoal da academia, ou um ingrediente a mais para as batidas de fruta. E com esse jeito de uva e cor de vinho, é ingrediente exótico até na culinária internacional.

E com tanta versatilidade, a ciência também não poderia deixar de oferecer sua contribuição: transformou o açaí no maior algoz do vinho tinto, por ser 33 vezes mais rico em antocianinas. Bom pro HDL...

O barbeiro bem que tentou derrocar essa autarquia, mas o açaí é abençoado e continuará encantando paladares, nas mais variadas versões no Brasil e no mundo. Quanto a mim, como quem chegou no Pará e parou; tomou açaí e ficou, o meu vai continuar sendo a sobremesa sem açúcar, com bastante tapioca e sesta.


P.S:Agradeço a minha amiga Marília que com sua simplicidade tem o dom de inspirar idéias enquanto conversamos.

domingo, 10 de janeiro de 2010

O amor fino




















 Definindo S. Bernardo o amor fino, diz assim: Amor non quaerit causam, nec fructum: "O amor fino não busca causa nem fruto". Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto: o amor fino não há de ter por quê nem para quê. Se amo por que me amam, é obrigação, faço o que devo; se amo para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há de amar o amor para ser fino? Amo, quia amo, como ut amem: amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam, é agradecido; quem ama, para que o amem, é interesseiro; quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, esse só é fino. 
“Porque se amardes os que vos amam que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?” Mateus 5:46

Como Ortega y Gasset diria: “Eu sou eu e minhas circunstâncias”, já que é por vontade alheia que o Blog anda ultimamente em ociosidade... Mas para não deixar janeiro em branco, deixo-vos em melhor companhia: Padre Antônio Vieira, a quem pertence o esplendoroso texto acima sobre o inesgotável tema “Amor”.
Mas por que um texto sobre amor?
As sem-razões do amor... Afinal “Amor non quaerit causam, nec fructum”...