quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O homem moral


(Girl in a church, National Geographic)

Com o tempo houve uma substituição da forma latina do verbo crear pelo moderno criar. O que representa um verdadeiro adultério em nível superior de conhecimento. Crear é a essência na existência. Criar é a transição de uma existência para uma outra existência. No princípio creou Deus...Assim Deus transmite sua essência e crea existências. Crea o homem e o homem cria os animais...
Longe de ser apenas um descuido léxico, a confusão entre crear e criar atinge inclusive proporções teológicas.
Famosos ou anônimos, a moda é fazer o bem e ter uma conduta irrepreensível. O mundo virou Behavorista. Assim nosso sucesso espiritual é medido pela quantidade de boas ações, pelo nosso bom comportamento, pela nossa conformidade às leis ou por alguma coisa boa que nós pareçamos ser.
A bíblia em Jó 25:4 e Salmo 53:3, dizem que não há quem faça o bem e que já nascemos maus, ou seja, carregamos uma natureza má, independente das boas obras todos somos pecadores. Acaso pode o etíope mudar a cor da sua pele ou o leopardo suas manchas? Então poderíeis vós fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal? Jeremias 13:23.
Longe de subestimar a importância das boas obras, devemos lembrar que a origem etimológica da palavra religião vem de religare, que significa unir o que estava afastado. Jesus disse: Sem mim nada podeis fazer (Jo.15.5). Assim tudo o que fazemos depende dele, de estarmos unidos nele, de um conhecimento íntimo, afinal Ele mesmo disse: Quem permanece em mim dá muito fruto, isto é, boas obras (ibidem). Boas obras são parte da essência de Deus, assim somente Deus pode crea-las em nós. Sem Deus somos apenas moralmente corretos, criadores de boas ações, o homem moral.
O problema de quando as boas obras não provêm da fé, é que se perde demasiado tempo em ser moralmente correto, ou pior, perde-se tempo excessivo com o pecado, procurando abandonar as coisas, ao invés de gastar tempo com Deus.
Enquanto não desistirmos de usurpar as prerrogativas de Deus como Creador, seremos apenas homens morais, mal-sucedidos espiritualmente, e jamais agradaremos a Deus, pois a fé é nele e não em nós, no eu. Eu não posso nada, mas tudo posso Naquele que me fortalece (Filipenses 4:13).

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

acho que a vida anda passando a mão em mim...




Certo dia um conhecido meu, que é diabético fora questionado se era também hipertenso. A resposta foi no mínimo lamentável: “Ainda não!”. Se ele não fosse médico eu não me incomodaria tanto...
Pensando bem a teoria da predestinação à doença é um assunto ubiquamente aceito.Leigos ou não, é senso comum que todos um dia adoeceremos para então irmos á óbito.Será?
Desde a juventude cria-se uma cultura aos prazeres momentâneos.O homem busca algo.Não sabe o que, mas busca.Por vezes, confunde-se e pensa que esse algo são prazeres momentâneos, efusões sentimentais, elementos distratores, e ai vem Sócrates e diz:O corpo tornou-se o cárcere da alma deles...
Fácil seria enxergar sob a ótica platoniana quando não se leva em conta um fardo cultural muito pesado que diz que é preciso aproveitar enquanto não vêem as limitações impridas pelas doenças da velhice.Assim a juventude vira o bônus da vida,a parte feliz da historia de uma humanidade predestinada ao adoecer e morrer,respectivamente.
Sabe-se que 90% das doenças seriam evitadas seguindo-se um estilo de vida saudável. Assim a premissa de que o homem vive pra adoecer está virando no mínimo questão de sobrevivência.Afinal vive-se ou sobrevive-se?
A triste resposta eu tenho todos os dias nos hospitais por onde passo.Seja no corredor onde as pacientes conversam sobre suas doenças, e disputam para ver quem tem mais, seja durante as HDA’s onde eu nem mesmo consigo delinear a queixa principal.O paciente virou tudopata.Um sobrevivente.O pior é que as doenças estão chegando cada vez mais cedo...Ás vezes já nascem até doentes, coitados.
Nesses momentos lembro bem do poema da Viviane Mosé, a filósofa Nietzcheriana que tem muita razão ao dizer:

acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim...

A vida anda passando por nós mas nós não estamos passando por ela...
É hora de exercer instantes ao invés de lutar contra o tempo!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A presunçosa




O J.A foi muito interessante naquele dia. Parodiou a parábola das bodas, com a encenação da história de um jovem que fora convidado para um grande festa, mas resolveu trocá-la pela companhia dos amigos e por outras distrações...
A noite estava muito animada naquele sábado, de longe fomos recebidos com aquele espetáculo de luzes que decoram o CAN no mês de outubro juntamente com um coro de pessoas frenéticas prenhes de adrenalina ofuscando a melodiosa soprano e o som do violino que ecoavam da basílica...
Patins nos pés e lá se foi eu [e a Suanne] na ansiedade de reviver as proezas infanto-juvenis. Fui remoçando... Uma velha criança adormecida que de vez em sempre consigo despertar...
E todos observavam as duas “marmanjas” sobre as rodinhas esperando talvez um motivo para vaias...hehehe.Mas essas coisas extrapiramidais não se esquece nunca, mesmo que passe anos sem treinar...Até o Hebert, calouro no assunto quis aventurar-se, colocou os pés na roda e deu um show de mico. A Cíntia sua namorada abriu mão de patinar só para ver o coitado sofrer para se equilibrar sobre as rodinhas. Os outros foram mais sóbrios...preferiram não arriscar.
Bem, e como as coisas acontecem aos pares. Pelas contas, faltava outro mico para nós. Foi aí que do nada surge uma cantada sádica e transtornada de um carro preto: Eu vou te pegar, vou te enforcar!Ué foi pra mim ou pro Hebert? Não sei, mas o cocô de periquito foi um pra cada!Afff
Bem como nada iria atrapalhar a felicidade daquela noite enfrentamos até com bom humor, e fomos rindo e cantando pelas ruas de Belém na calada da noite...
O problema começou quando a presunção falou mais alto...Meu pai já estava na milésima ligação perguntando onde estávamos àquela hora. “Relaxa pai, estamos bem, estamos com Deus e com o pessoal da Igreja”...
O problema era que não tínhamos convidado Deus para ir conosco, e se Ele nao estava ali como poderia ouvir sua voz? A voz de Deus. Meu amigo, que eu escuto todos os dias. O Deus que eu conheço. O Deus que nos prometeu que seria conosco quando estivéssemos em perigo se ausentou naquela madrugada deixando eu e minha mãe sermos assaltadas?
“Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito para que te guardarem em todos os teus caminhos (Salmos 91:11). Deus não nos prometeu que nos livraria de situações em que nós nos colocássemos em perigo.Isso não é fé é presunção. É achar que Deus fará tudo por nós mesmo quando não ouvimos sua voz. Não havia nada de errado em se divertir com os amigos, o problema foi que a distração, a fome por se divertir acabou levando-nos a esquecer de convidar Jesus para estar conosco. Perdemos o alvo por algumas horas, nos perdemos de Jesus por alguns instantes, e sua voz que já e tão suave e difícil de ouvir, ficou inaudível naquela noite...
Já em casa lembrei-me dos pais de Jesus, ali retornando de Jerusalém após as festividades pascoais, com as distrações dos amigos e conversas, não estavam fazendo nada de mal, mas esqueceram de Jesus.
Eu estava sendo alertada desde o J.A, com a mensagem sobre as distrações do mundo, com as ligações do meu pai. Mas quando não ouvimos a voz de Deus, abre-se a porta para a voz do inimigo. E eu ouvi literalmente, em alto e bom som. Aquele “vou te pegar, vou te enforcar!” era para mim.
Felizmente Deus falou de novo, e agora já com as mãos vazias ,com os bens materiais extraviados, despossuída de mim mesma, em prantos...eu ouvi a voz de Deus no meu quarto e ele falou comigo através de Lamentações de Jeremias 3:22-66.Que diz resumidamente que as misericórdias de Deus são a causa de não sermos consumidos e que Deus faria justiça em minha causa e castigaria os ímpios.
Deus me disciplinou amargamente, mas junto com a disciplina veio o seu olhar amoroso e perdoador, pois o que mais me doeu foi meu erro para com meu melhor amigo, Jesus.
A fé reclama as promessas de Deus e produz frutos da obediência, a fé leva à obediência à palavra de Deus e à voz de Deus. A presunção também reclama as promessas de Deus, mas produz transgressão, crendo que o amor de Deus e a Sua misericórdia salvar-nos-á das conseqüências do pecado.
Que possamos manter nosso amigo Jesus bem perto de nós para que possamos continuar ouvindo sua voz e seus bons conselhos.

Ver O Desejado de todas as nações, cap.13